XIV Edição
Os Artistas

Diemut Poppen
Viola, Direção Artística
Diemut Poppen é uma das mais notáveis violetistas do nosso tempo. Nascida numa família de tradições musicais, na Alemanha, começou por estudar violino, apaixonando-se mais tarde pela viola, tendo recebido os ensinamentos dos maiores violetistas da época.
Actualmente, Diemut Poppen é uma das mais requisitadas violetistas da cena internacional, com uma carreira que, seja como solista com orquestra, seja em música de câmara, a leva a muitos importantes palcos, como sejam o Barbican Centre, o Carnegie Hall, a Filarmonia de Berlim, a Alte Oper (Frankfurt), o Grande Auditório Gulbenkian, o Megaron (Atenas), ou o Festival de Lucerna, locais onde partilhou numerosas vezes o palco com figuras como Claudio Abbado, Nikolaus Harnoncourt, András Schiff, Maria João Pires, Gidon Kremer, Leonidas Kavakos, Natalia Gutman, além de Alexander Chaushian, parceiro musical de longa data.
Recebeu o European Music Prize, em Estrasburgo e, em Espanha, a Medalha de Prata/Música, entregue pela rainha Sofia.
Paralelamente aos concertos, desenvolve prestigiada carreira de pedagoga, integrando o quadro docente das escolas superiores de Zurique e de Friburgo, e da Escola Reina Sofia (Madrid), além da Academia de Fiesole (Itália).
A sua paixão pela música de câmara levou-a a criar dois festivais de que é directora artistica: os Rigi MusikTage (Suíça) e o Festival Cantabile (Lisboa).
Antes de enveredar full-time pela carreira de solista, foi por largos anos chefe de naipe adjunta da Orquestra do Festival de Lucerna, criada e dirigida pelo seu mentor Claudio Abbado, e chefe de naipe da Orquestra de Câmara da Europa.
O seu repertório é vastíssimo, abarcando desde Bach até à literatura moderna para o instrumento, aqui se incluindo os compositores portugueses António Pinho Vargas e Luís Tinoco.
A sua discografia está distribuída por selos como Deutsche Grammophon, Capriccio, EMI, Ondine, BIS, ou Tudor.
Na temporada 2024-25, a sua agenda de concertos levou-a à Áustria, Alemanha, Suíça, Itália, França, Portugal, Espanha, Bulgária e Chipre.
Solistas convidados

Christel Lee
Violino
Nascida nos EUA de pais sul-coreanos, Christel Lee passou a infância no Canadá, regressando aos EUA para estudar na Juilliard School com Kyung Wha Chung. Prosseguiu depois estudos na Alemanha: primeiro na Academia Kronberg, depois na Escola Superior de Munique, sob orientação de Ana Chumachenco. Saltou para a ribalta aos 25 anos, ao obter o 1.º Prémio no Concurso Sibelius (Helsínquia), um dos mais importantes do mundo, em Abril de 2015. Dois anos antes, obtivera já o 2.º Prémio e o Prémio do Público no Concurso Internacional da ARD (Munique).
Com uma carreira que se estende da América do Norte e Europa até ao Extremo Oriente, Christel Lee já se apresentou a solo com a Sinfónica da Rádio Finlandesa, Filarmónica de Helsínquia, Sinfónica da Rádio da Baviera, Filarmónica de Tóquio, Sinfónica Nacional da Coreia, Sinfónica da KBS (Seul), Sinfónica da SWR de Stuttgart e Sinfónica de Vancouver. É além disso uma apaixonada da música de câmara, destacando-se colaborações com músicos como David Fung, Jonathan Roozeman e Yevgenya Lysohor.
É co-dedicatária do Duplo Concerto para violino e violoncelo, do compositor finlandês Kalevi Aho, que tocou em estreia mundial (Abril 2024).
Já se apresentou nos festivais de Aspen, Meclemburgo-Pomerânia, Menuhin/Gstaad, Alpenarte/ Schwarzenberg, na Mozartfest/Würzburg, nas Semanas Musicais de Ascona/Locarno, no Palermo Classica e no Festival da Academia Kronberg. Regressa em 2026 ao Festival Cantabile.
Desde 2024, ensina na Escola Superior de Karlsruhe (Alemanha). Christel Lee toca um violino Landolfi de 1770, após ter tocado um Storioni de 1781.

Carla Marrero Martínez
Violino
Natural de Espanha e fixada em Munique, Carla Marrero é elogiada pela sua fogosidade e pela técnica brilhante que possui. Estudou com uma notável galeria de mestres do violino, como Marco Rizzi, Kolja Blacher, Anna Chumachenco e Friedemann Eichhorn (com quem concluiu os seus estudos, em 2021). Foi 2.º Prémio do Concurso de Mirecourt (2016) e, no âmbito dos prestigiados cursos da Academia Kronberg, recebeu os prémios Ana Chumachenco (2017) e Manfred Grommek (2021). Foi desde cedo notada pela Fundação Anne-Sophie Mutter, beneficiando do apoio desta para a prossecução dos seus estudos. Beneficia actualmente do apoio da Fundação Humboldt e da Fundação Amigos dos Jovens Músicos de Munique.
Além da sua carreira enquanto solista (com orquestra), que já a levou a palcos importantes da Alemanha e de Espanha, Carla Marrero é uma apaixonada da música de câmara, domínio em que já tocou ao lado de nomes como Gidon Kremer, Christian Tetzlaff, Steven Isserlis e András Schiff, além de ter criado o Quarteto Valor.
A sua relação com Anne-Sophie Mutter não terminou com os estudos: hoje, Carla é integrante regular do ensemble Mutter's Virtuosi, com o qual tem feito digressões e no qual tem oportunidade de se apresentar como solista. Carla Marrero toca um Vuillaume de 1843, gentilmente cedido pelo Círculo de Amigos da Fundação Anne-Sophie Mutter.

Fabiana d'Auria
Violino
Graduada com distinção pelo histórico Conservatório San Pietro a Majella de Nápoles, Fabiana D'Auria estudou depois com Maurizio Sciarretta, Boris Belkin e Marc Bouchkov. Em masterclasses, teve oportunidade de trabalhar com nomes como Pavel Vernikov, Ilya Grubert, Stefano Pagliani ou Ulf Schneider. O seu talento foi reconhecido com o 1.º Prémio do Concurso Nacional Saverio Mercadante de Nápoles. Fabiana já actuou em locais como a Sala Smetana (Praga), a Sala Haydn (Eisenstadt), o Musikverein e a Konzerthaus de Viena e o Teatro San Carlo de Nápoles.
A sua forte ligação com o repertório de câmara levou-a a criar o seu próprio Trio - Trio Audis -, além de já se ter apresentado ao lado de músicos como Vahan Mardirossian, Svetlin Roussev, Diemut Poppen, Alexander Chaushian e Christel Lee.

Samuel Barsegian
Viola
Nascido na capital arménia, Yerevan, Samuel Barsegian começou pelo violino, passando à viola aos 15 anos. Dos 18 aos 20 anos, foi solista da Orquestra Sinfónica da Rádio da Arménia. Prosseguiu a sua formação no estrangeiro, estudando com Kim Kashkashian (Friburgo), Karen Tuttle (Juilliard) e Madeline Prager (Karlsruhe). Depois disso, foi discípulo do grande violetista e maestro Rudolf Barshai, do qual recebeu as primeiras 'luzes' de direcção, campo que depois desenvolveu com Lawrence Foster e, mais informalmente, com David Zinman, Bertrand de Billy, Simone Young e Jukka-Pekka Saraste. De 1998 a 2008, foi chefe de naipe da Real Orquestra Filarmónica da Flandres, transitando daí para idêntica posição na Orquestra Gulbenkian, onde se mantém até hoje. Como maestro, a sua estreia foi com esta orquestra, em 2013.
É regularmente viola convidado da Sinfónica do Porto-Casa da Música e da Sinfónica de Tenerife.
Integra o quadro docente da Escola Superior de Música de Lisboa.

Pavel Gomziakov
Violoncelo
Nascido em Tchaikovsky (Região dos Urais/Rússia), Pavel Gomziakov iniciou os seus estudos de violoncelo aos nove anos. Aos catorze, muda-se para Moscovo, onde estuda na Escola Gnessin e mais tarde no Conservatório Tchaikovsky, com Dmitri Miller. Prossegue os seus estudos em Madrid, com Natalia Schakhovskaya, na Escola Superior Reina Sofía, após o que ruma ao Conservatório Superior de Música de Paris, aí obtendo o diploma do Ciclo de Aperfeiçoamento em violoncelo, na classe de Philippe Muller. Em Abril de 2010, estreia-se nos EUA com a Sinfónica de Chicago, dirigida por Trevor Pinnock, regressando em 2012.
Pavel Gomziakov apresenta-se regularmente em toda a Europa, na América do Sul e no Japão. Para além da Chicago Symphony, já se apresentou como solista com a Orquestra de Câmara Finlandesa, Orquestra do Capitole de Toulouse, Orquestra Nacional Russa, Orquesta Filarmónica Russa, Sinfónica de Seattle, Orquestra dos Pomeriggi Musicali de Milão, Orquestra Filarmónica Polaca do Báltico/Gdánsk, Orquestra de Avignon e, em Portugal, com a Orquestra Gulbenkian e a Orquestra Metropolitana. Foi solista convidado da Nova Filarmónica do Japão, Orquestra de Câmara de Londres, Orquestra Nacional de Montpellier, Orquestra Nacional de Lille, Orquestra Sinfónica do Québec, Real Orquestra Filarmónica de Liège e Sinfónica de Osaka.
Foi dirigido por maestros como Jukka-Pekka Saraste, Tugan Sokhiev, Jesús López-Cobos, Christopher Warren-Green, Trevor Pinnock, entre outros.
Com a pianista Maria João Pires, deu concertos por toda a Europa, Extremo-Oriente e América do Sul. Gravou com a pianista portuguesa a Sonata para violoncelo de Chopin, obra incluída no disco 'Chopin' (ed. Deutsche Grammophon/2009), que foi nomeado para os Grammy Awards.
Por generosa cedência da Sra. J. Ng (Hong-Kong), Pavel Gomziakov toca actualmente o maravilhoso Tecchler 'ex-Romberg' (Roma, 1703).

Alexander Chaushian
Violoncelo
Considerado um dos melhores violoncelistas a emergir na cena internacional no início do século XXI, o arménio Alexander Chaushian (n. Yerevan, 1977) desenvolveu uma carreira de solista com orquestra, apresentando-se com formações como a Philharmonia Orchestra, a Royal Philharmonic, os London Mozart Players, a Orquestra de Câmara de Viena, a Orquestra da Suisse Romande, a Boston Pops Orchestra ou a Filarmónica Nacional da Arménia, em salas como: Royal Festival Hall, Southbank Centre, Queen Elizabeth Hall, Wigmore Hall, Konzerthaus Viena, Suntory Hall (Tóquio), Sala Verdi (Milão), Carnegie Hall e Symphony Hall (Boston).
Após estudos iniciais em Yerevan, Alexander foi para Londres, onde estudou na Menuhin School e na Guildhall School (com Oleg Kogan). Fez depois estudos avançados na Hochschule Hanns Eisler de Berlim (com Boris Pergamenshikov e David Geringas), diplomando-se com distinção em 2005. Foi premiado em numerosos concursos, destacando-se o 3.º Prémio no 12.º Concurso Tchaikovsky (2002) e o Prémio Especial do Concurso Internacional da ARD/Munique (2005). Foi ainda seleccionado (1997) para o conceituado programa Young Concert Artists (Nova Iorque).
Apaixonado pela música de câmara, Alexander Chaushian já se apresentou ao lado de músicos como Yehudi Menuhin, Julia Fischer, Yuja Wang, Yuri Bashmet, Diemut Poppen ou Emmanuel Pahud. Trabalha regularmente (recitais e gravações) com o pianista Yevgeny Sudbin.
Convidado regular de prestigiados festivais em todo o mundo, Alexander é ele próprio o director artístico de um festival em Yerevan, de um festival de música de câmara em Pharos (Chipre) e da Classic Cello International Competition (Londres).
A sua discografia inclui gravações efectuadas com Sudbin para o selo BIS, que mereceram rasgados elogios da crítica internacional, e uma aclamada gravação em que se apresenta como solista com a Filarmónica da Arménia (BIS/2023).
Alexander Chaushian ensina no Royal College of Music e na Menuhin School.

José Gallardo
Piano
O pianista argentino José Gallardo (n. 1970) é um dos mais requisitados pianistas de música de câmara da cena internacional. Após estudos no Conservatório de Buenos Aires, veio para a Europa, onde estudou na Hochschule de Mainz, aí obtendo o seu diploma em 1997. É nesses anos que desperta o seu interesse e paixão pela música de câmara. Entre os músicos que mais o inspiraram, José Gallardo cita Menahem Pressler, Rosalyn Tureck, Sergiu Celibidache e Bernard Greenhouse.
Ainda na Argentina e mais tarde já na Europa, José Gallardo recebeu numerosas distinções e prémios. É presença regular em festivais tão prestigiados como Lockenhaus, Verbier, Lucerna, 'Chopin e a sua Europa'/Varsóvia, Schleswig-Holstein, Cork, City of London e Rheingau, além dos destivais da Academia Kronberg e da Academia de Budapeste.
Entre os músicos com que tem colaborado em música de câmara contam-se nomes como Gidon Kremer, Vilde Frang, Veronika Eberle, Nicolas Altstaedt, Miklós Perényi, Andreas Ottensammer, Diana Tishchenko, Linus Roth e Maximilian Hornung.
Com uma carreira que se estende da América do Norte à Austrália, José Gallardo já actuou em salas tão conhecidas como a Filarmonia de Berlim, a Tonhalle de Zurique, a Filarmonia do Elba (Hamburgo), o Teatro della Pergola (Florença) ou o Wigmore Hall (Londres).
Gravações em que participou foram editadas em selos como EMI, Warner, Deutsche Grammophon e Hänssler e concertos seus já foram gravados pela BBC, RAI, Rádio do Sudoeste da Alemanha e Rádio de Berlim.
É docente na Hochschule de Augsburgo desde 2008 e, juntamente com Andreas Ottensammer, criou o festival de música de câmara de Burgenstock (Lago de Lucerna).
José Gallardo regressa este ano ao Festival Cantabile, após o sucesso da sua estreia na edição de 2025.

Michaela Unsinn
Mezzo-soprano
Michaela Unsinn estudou na Universidade das Artes de Zurique (ZHdK) com Lina Maria Åkerlund, obtendo o Mestrado em Pedagogia e em Performance com distinção. Fez várias masterclasses e frequentou academias de Lied e de ópera na Alemanha e na Suíça. Trabalho ainda a nível particular com cantores como Kurt Widmer, Yvonne Naëf, Ingeborg Danz e Francisco Araiza, que dela disse: "Sra. Unsinn, a senhora tem ouro nessa voz!"; e, no domínio cénico, com encenadores como Uwe Laufenberg e Julie Beauvais. Actualmente recebe orientação vocal de Adina Nitescu.
Estreou-se em ópera como Rosina, no Barbeiro de Sevilha, juntando depois a esse outros papéis, sobretudo mozartianos, adequados à sua vocalidade, como Despina e Dorabella (Così fan tutte), a figura alegórica da Justiça, na obra juvenil de Mozart Die Schuldigkeit des ersten Gebots, com que se estreou no Festival de Lucerna, ou ainda o de Ramiro da Finta giardiniera. Também cantou (e travestiu) o papel de Malatesta do Don Pasquale transposto para voz aguda.
Em repertório de concerto, Michaela Unsinn já cantou obras emblemáticas como a Missa em si menor e a Paixão segundo São João, de Bach, o Messias, de Händel, a Nona de Beethoven, a oratória Elias, de Mendelssohn, a Petite messe solennelle e o Stabat mater, de Rossini, o Stabat mater de Dvorák e a Misa Tango, de Palmeri.
A canção de câmara, pela qual tem especial predilecção, forma o terceiro vértice da sua actividade, concedendo igual destaque ao Lied e à mélodie e abrangendo um repertório que vai das canções de Schubert e de Schumann às Nuits d'été, de Berlioz, e das Wesendonck-Lieder de Wagner até canções francesas da Belle Époque e aos Lieder de Mahler e de Strauss.
